Um congresso orgânico e biodinâmico, com os resíduos de volta à terra
- ABDSul Biodinâmica
- há 1 dia
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Alimentação do VII Congresso Brasil de Pedagogia Waldorf, que está sendo realizado em Florianópolis no período de 13 de julho a 18 de julho de 2026, valoriza produtos orgânicos e biodinâmicos, ingredientes da sociobiodiversidade, alimentos com Indicação Geográfica e o trabalho de mais de 200 agricultores
Suco de gabiroba, butiá, araçá-vermelho e jabuticaba. Banana, laranja, bergamota, pinhão, legumes, tomates, farinhas, bolos e bolachas produzidos por agricultores familiares, comunidades tradicionais e redes comprometidas com a agroecologia e a biodinâmica.

No VII Congresso Brasil de Pedagogia Waldorf, realizado em Florianópolis, na UFSC, a alimentação também faz parte da proposta educativa do encontro. O cardápio servido aos participantes expressa princípios como o cuidado com a terra, a valorização dos territórios, a preservação da biodiversidade e o fortalecimento das relações entre quem produz e quem consome.
São mais de 650 participantes alimentados em dois cafés por dia e uma sopa, a noitinha, opcional. Para servir isso tudo, a operação de alimentação mobilizou seis redes e organizações ligadas à agricultura orgânica, biodinâmica e agroecológica, envolvendo direta ou indiretamente mais de 200 agricultores.
Por meio da articulação com o movimento Slow Food, chegaram ao Congresso o butiá e o pinhão, dois alimentos profundamente ligados às paisagens, à cultura alimentar e à biodiversidade da Região Sul.
A Rede Ecovida de Agroecologia forneceu frutas nativas, legumes, tomates e farinhas de trigo e de milho. A rede é reconhecida por seu trabalho com a agroecologia e pela certificação participativa de produtos orgânicos, realizada com a participação de agricultores, técnicos e consumidores.
Os produtos biodinâmicos foram fornecidos por produtores associados à Associação de Agricultura Biodinâmica do Sul - ABDSul. Entre os alimentos estavam arroz e frutas como banana de Luiz Alves, laranja e bergamota. A procedência biodinâmica é certificada pelo selo Demeter do Sistema Participativo de Garantia - SPG/ABDSul.
A proposta foi aproximar os participantes da origem dos alimentos e mostrar que as escolhas feitas no cotidiano podem contribuir para a preservação ambiental, a geração de renda no campo e a manutenção de sistemas agrícolas diversificados.
Produtos que carregam a identidade de seus territórios
O cardápio também reuniu alimentos relacionados a processos de Indicação Geográfica, reconhecimento concedido a produtos cuja reputação, qualidade ou características estão associadas ao território em que são produzidos.
Quatro dos produtos servidos já possuem Indicação Geográfica oficialmente reconhecida: a Linguiça Blumenau e a Banana de Luiz Alves, registradas como Indicações de Procedência; e a Erva-mate do Planalto Norte Catarinense e o Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro, reconhecidos como Denominações de Origem.
Também foi consumido o milho crioulo de Anchieta, no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Preservado ao longo de gerações por famílias agricultoras, o produto representa a conservação da agrobiodiversidade e dos conhecimentos tradicionais. Sua Indicação Geográfica ainda não foi concedida: encontra-se em processo de construção e estruturação.
Sabores nativos e cultura alimentar catarinense
Entre as particularidades do cardápio estavam os sucos preparados com frutas nativas, como guabiroba, butiá, araçá-vermelho e jabuticaba.
Além de ampliarem a diversidade de sabores oferecida aos participantes, essas frutas ajudam a chamar a atenção para espécies que fazem parte da biodiversidade brasileira, mas que nem sempre estão presentes nos circuitos convencionais de alimentação.
Bolos e bolachas foram produzidos pelo Quilombo Morro do Fortunato, comunidade tradicional localizada na Grande Florianópolis. Produtos derivados da mandioca vieram de um engenho de farinha do Ribeirão da Ilha, fortalecendo a presença da cultura alimentar local no Congresso.
Uma cozinha conectada ao território

A elaboração e a execução do cardápio ficaram sob responsabilidade da Bijajica Ecogastronomia, empresa especializada em alimentação agroecológica e apresentada pela organização do evento como o primeiro catering agroecológico da Região Sul.
À frente do empreendimento está Fabiano Gregório, chef e especialista em Meio Ambiente, Cultura e Sociobiodiversidade. Seu trabalho articula gastronomia, diversidade alimentar, responsabilidade socioambiental e valorização dos produtores, dos alimentos e dos saberes vinculados aos diferentes territórios.
“Mais do que servir refeições, nosso trabalho é construir um cardápio conectado ao território. Cada ingrediente traz a história dos agricultores, das comunidades e dos ecossistemas onde foi produzido. Os consumidores têm o poder da escolha: ao se alimentar, podem valorizar produtos ambientalmente responsáveis e dar um voto de confiança a quem produz, fortalecendo também a economia local. Nós nos alimentamos várias vezes ao dia e, em cada uma dessas escolhas, podemos estabelecer uma conexão entre o prato e o campo. Quanto mais pessoas agirem dessa forma, mais valorizaremos os produtores locais de alimentos”, afirma Fabiano Gregório.
Alimentação em grande escala, com origem conhecida
A alimentação do Congresso envolveu aproximadamente 110 quilos de banana, 180 quilos de laranja, 180 quilos de bergamota, 55 quilos de polpas de frutas, 40 quilos de pinhão, 35 quilos de farinha de milho, 15 quilos de massa de mandioca e 150 quilos de farinha de trigo. Mais do que números, os dados revelam o tamanho da rede necessária para alimentar centenas de pessoas sem perder de vista a origem dos ingredientes e as relações estabelecidas com os produtores.
Do campo ao prato — e do prato de volta à terra
A preocupação ambiental continua depois que as refeições são servidas. Os resíduos orgânicos produzidos durante o evento são separados e destinados à compostagem.
A estimativa da organização é que o processo resulte em aproximadamente 400 quilos de composto orgânico, material que poderá retornar ao solo como fonte de nutrientes.
Dessa forma, os alimentos saem da terra, chegam às mesas, alimentam os participantes e retornam ao ciclo natural.
Ao reunir agroecologia, agricultura familiar, produtos biodinâmicos, alimentos com Indicação Geográfica, frutas nativas e compostagem, o Congresso demonstra que a sustentabilidade não precisa permanecer apenas no campo das ideias. Ela também pode ser praticada nas escolhas mais cotidianas — inclusive na pausa para o café.




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